SOBRE O CONVERSÃO DIGITAL

Sobrevivemos ao “bug” do milênio. E isso já faz mais de 14 anos. Nossa sociedade mudou, e muito. E, de igual forma, devemos mudar nossa forma de enxergar o mundo. Razão pela qual surge a seguinte questão:

Por que é importante ter uma boa estrutura de mídia e comunicação digital em nossas igrejas?

Porque só assim atingiremos a geração atual. Explico. O evangelho é dinâmico e sua mensagem imutável. Mas ele só sobreviveu por mais de dois mil anos por que as pessoas utilizaram os instrumentos corretos e disponíveis para alcançar as pessoas de seu tempo.

Veja o que Lucas escreveu em Atos 1:8:

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”.

Quer você queira ou não concordar, a internet é hoje nosso atual “confins da terra”. Sim. A internet se tornou um “lugar” e as pessoas que moram e vivem nela devem ser alcançadas de uma maneira peculiar, como peculiar é o seu modo de vida.

O apóstolo Paulo se utilizou de cartas escritas, pois este era o maior instrumento de comunicação de sua época e atingiu um número incontável de fiéis e não-cristãos com suas palavras. Qual a razão para não utilizarmos o Facebook, Twitter, Pinterest e tantas outras plataformas sociais para fazer o mesmo?

Primeiramente, é preciso entender e compreender o momento histórico em que se encontra a sociedade atual, em que a igreja de Cristo se encontra inserida. Quem são seus agentes, o que eles fazem, como fazem e o que querem com isso?

Em meados de 1960-1970, a geração dominante foi denominada de “Baby Boomers”.

Eu sei que você já ouviu falar deles. Numa sociedade pós-guerras, eles tinham regras claras de vivência profissional e pessoal. Carregados de responsabilidades individuais e específicas, resumiam uma vida de sucesso sobre a palavra estabilidade. E outras características interessantes:

  • Se você tivesse um emprego, não deveria largá-lo por nada na vida. Afinal, nosso propósito como seres sociáveis era criar uma carreira sólida, um casamento firme e ter filhos saudáveis e bem cuidados;
  • Disciplina e Honra eram as palavras do momento. E o sustento da família era o que movia o crescimento dentro das hierarquias profissionais no trabalho;
  • Vida pessoal e vida profissional sequer andavam juntas, elas eram separadas por algo chamado “Final de Semana”, sim, um lapso temporal compreendido entre dois dias de total descanso e cuidado da família e do querido Doug, o cachorrinho da família. Mais ou menos como os personagens da série “Anos Incríveis”.

Mas esta, não é mais a geração a ser alcançada. Eles já foram alcançados de alguma forma, e continuaram a ser impactados.

Em meados de 1980-1990, a geração dominante foi denominada de “Geração X”.

Você também já deve ter ouvido falar deles. Com certeza os seus pais se encaixariam perfeitamente nessa descrição. Olhe o porquê:

  • Muitos desses são filhos de “Baby Boomers” e como tais tinham muitos irmãos. Famílias grandes, sociedades maiores ainda. Por isso, competitividade era a palavra do momento;
  • As atividades dessa geração tinham uma carga de recompensa. Marcados pela competitividade do “quem se destacava é que ganhava”, resumiam uma vida de sucesso sobre as palavras juventude e fortuna;
  • Viviam sobre a sombra do mérito e da experiência. E em razão disso buscavam títulos e mais títulos. MBA’s e PHD’s, mestrados e doutorados. Toda diferença e destaque eram almejadas;
  • A vida era um filme de Hollywood e como ator principal da sua, você tinha que se destacar. Razão pela qual muitos da “Geração X”, ao terem filhos, “obrigavam-nos” a escolher entre medicina, direito ou engenharia;
  • Para eles, boas roupas e boa aparência significavam bons negócios. E a vida profissional poderia, e devia, ser somada à vida pessoal. Nesse contexto surgiram os tais “Workaholics”, que numa lógica individualista queriam chegar à coordenação, diretoria ou chefia de suas empresas.

Mas esta, também, não é mais a geração a ser alcançada. Esses também foram alcançados à sua maneira e continuam a ser impactados.

Atualmente, por volta dos anos 2000-2010, surgiu uma geração dominante intitulada de “Millennials” ou “Geração Nós” ou “Globalists”.

É destes caras que estou falando. Representam a nova força de trabalho mundial, com mais de 2,3 bilhões de pessoas espalhadas pelo globo, que possuem uma mentalidade digital, fluída e coletiva. E são marcados pelos seguintes traços:

  • 54% deles já possuem uma empresa própria ou o sonho de iniciar uma. Para eles, ou melhor dizendo, para nós, desfrutar o caminho parece ser mais interessante do que o destino final;
  • Buscamos, e muitos de nós realmente conseguiram, uma verdadeira compatibilização da paixão com o trabalho. Sim, resumimos a palavra sucesso em tudo aquilo que sentimos prazer ou amamos fazer;
  • Novas profissões surgiram, uma economia criativa e uma força ou poder coletivo nos impulsionam. O futuro é incontrolável, então, porque se preocupar tanto com ele, se posso viver o hoje e desfrutar do que eu consigo fazer agora?;
  • Queremos ver os nossos esforços serem recompensados com a rapidez com que um “post” é curtido no Facebook. Queremos ser ouvidos com a velocidade que um “tweet” tem de alcançar inúmeras pessoas. Com tanta mobilidade e expansão da tecnologia nós podemos trabalhar em qualquer lugar, em qualquer horário e em qualquer momento;

Mas com tantas coisas boas, perdemos o rumo em certas áreas. A ansiedade comanda tudo, desde o que comemos ao que vestimos, de quem nos rodeamos às idéias e princípios que defendemos. É muito bom termos um espírito de compartilhamento e engajamento coletivo. Em nossos dias depuseram ditadores egípcios e líbios com o poder das redes sociais. Fomos às ruas contra o aumento, contra a corrupção, contra um Brasil do século passado. Esta é a geração que deve ser alcançada. Eu disse deve, não que apenas precisa, mas que deve ser alcançada.

Vivemos numa sociedade que prega a igualdade e o mútuo respeito geracional, mas que não os pratica. Vivemos num mundo de troca de experiências superficiais, regadas de mobilidade e sociabilidade. Não é a toa que slogans como “I’m loving it” e “bebendo uma Coca-cola com o Paulo” fazem tanto sentido. Afinal, o segredo é ser sempre adaptável às mudanças e poder realizar um propósito ou sonho através de nossas atividades, quer sejam no trabalho ou na vida pessoal.

Por que é importante ter uma boa estrutura de mídia e comunicação digital em nossas igrejas?

Para alcançar estes “unpredictable kids” de nossos dias. Para alcançar nossos amigos que têm pavor da palavra “igreja”, mas amam defender um ideal. Para alcançar os “parças” do trabalho, que acham que Jesus é personalizável e que da Bíblia eu posso escolher uns pedaços, feito um “monte o seu prato” do “fastfood” mais próximo.

Esta é, portanto, a proposta do Conversão Digital.

Através das nossas e das suas experiências, sonhos e vontades, partilhar e compartilhar na esperança de converter a mentalidade de nossas igrejas (e porque não especificamente de nossos lideres) que se perderam no tempo com tantas novidades. E são muitas mesmo, gente. Olhe por esse lado. Recente pesquisa diz que 75% das pessoas entre 25 e 30 anos, usam o “SnapChat” diariamente no mundo.

Eu não uso o “Snapchat”, por que não me interessei pela sua proposta. Mas eu tenho 27 anos e, então, já fui ultrapassado. Não estou mais na “atualidade”. Percebe a velocidade dessas mudanças? Nós sentimos, quem dirá os “Baby boomers” e “Generation X”s de nossas comunidades.

Nosso papel não é confrontar ou revolucionar sem causa, mas apontar que a saída para um verdadeiro evangelismo digital começa na nossa mente e em nossa comunidade. Alterar o caminho, sentido ou direção não mudará e nunca a mensagem transformadora do sacrifício de Jesus naquela cruz! Eu sei que foi pago um alto preço pela minha e pela sua vida.

Que tal, então, como Paulo, fazer-nos como judeus para os judeus, para ganhá-los; fazer-nos de fracos para os fracos, para também ganhá-los? (1 Coríntios 1:9) Façamo-nos como internautas, “millennials” e virtuais para alcançar todos aqueles que perambulam por esse novo território e que, pela graça e misericórdia de Deus, possamos alcançar alguns para a salvação eterna.

Nosso muito obrigado,
É muito bom poder encontrar alguém que pensa e quer causar impacto como nós queremos causar. Fique firme. Conversão Digital vai te ajudar. Pelo menos vamos tentar, isso prometemos!

QUEM ESCREVE

Isabelle Reis

Isabelle Reis

Formada em arquitetura e pós-graduada em comunicação e audiovisual, é uma apaixonada por vídeo e fotografia, sempre buscando novas e melhores formas de disseminar a verdade para a qual, um dia, Deus a despertou. Especializada em Motion Graphics, atua na área de Comunicação na igreja desde que aprendeu que existe um mundo além do “Paint”, colaborando no ministério desde 2006.

Paulo Victor Reis

Paulo Victor Reis

Advogado. Professor paulistano de formação e estudioso social por vocação. Exerceu, por quase 10 anos, liderança em ministério com Jovens na igreja local, enfatizando a necessidade de uma juventude cristã contextualizada e biblicamente afiada. Apaixonado por música e pela ciência do que ela pode fazer em nossos sentimentos.

Renata Tibiriçá

Renata Tibiriçá

Mineira, formada em Ciência da Computação e pós-graduada em Inteligência de Negócios, trabalha com marketing digital há 10 anos, tendo nesse período servido a igreja local e Jocum na area de mídia. É uma apaixonada pelo mundo digital e acha que a internet é “os confins da Terra” para onde Deus tem nos chamado a atuar.

Victor D'Afonseca e Silva

Victor D'Afonseca e Silva

Engenheiro e administrador de empresas (provavelmente a formação mais chata do grupo :P), possui experiência de 6 anos na condução de projetos de Criação e Inovação nas indústrias dos ramos aeroespacial e construção civil e acredita que o mundo está mudando, bem como os meios tradicionais de abordagem para a apresentação do Evangelho!

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