Quando a busca pelo ministério de comunicação ideal gera impactos negativos

No Conversão Digital sempre defendemos a importância de um Ministério de Comunicação forte e influente como pilar de sustentação e difusão da Palavra na Igreja Local. Apesar disso, quais seriam os riscos de se formarem grupos de trabalho que, ao invés de agregar e contribuir com o crescimento da Igreja, gerem impactos negativos e acabem posicionando-se como empecilhos à transmissão da Palavra?

Para desenvolver esta reflexão, levantamos três pontos de atenção e que contribuem para que se eleve o risco de termos em nossas Igrejas ministérios fracos e pouco efetivos (lembrando que apesar de estar falando de forma mais específica sobre comunicação, estes riscos são perfeitamente aplicáveis a todas as áreas da Igreja).

1.O risco da perda de foco

O primeiro dos riscos, e provavelmente o mais provável de ser encontrado em nosso meio cristão, é a perda de foco. Muitas vezes, ao iniciarmos qualquer tipo de trabalho, e isso não acontece apenas com o ministério de comunicação, tão pouco somente com as nossas Igrejas, tendemos a estar com um alto nível de motivação e determinação.

Este alto nível de motivação é o responsável por nos manter sempre buscando atender às necessidades que nos são propostas de forma ágil e efetiva, buscando as melhores soluções para as circunstâncias, desenvolvendo novas técnicas, procurando pessoas altamente dedicadas e negociando de forma contundente, a fim de que seja possível desenvolver um trabalho de excelência.

Porém à medida que o tempo passa naturalmente a maioria de nós perde o “primeiro amor” e as rotinas se tornam cansativas, os conflitos se tornam cada vez mais insustentáveis, as diferenças pessoais mais evidentes e o amor de Cristo e a necessidade de transmissão da Palavra de Deus menos urgente.

A situação descrita não é algo novo. Quando lemos o capítulo 2 do livro de Apocalipse, Deus já nos mostra o quão arriscado era esse caminho e quão fácil era nos esquecermos do sentimento que nos moveu até Ele:

“Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor (…)” (Apocalipse 2.4)

Devemos a cada dia lutar para que nosso foco permaneça em Cristo, apesar de todas as dificuldades enfrentadas no dia a dia do serviço para Deus como ministério de comunicação. Nunca se esqueça de que tudo que fazemos tem um propósito único, que invariavelmente deve passar por Deus e por sua Palavra.

Uma forma de manter o foco é desenvolver uma rotina semanal de devocional com a sua equipe. Se você é líder de um ministério de comunicação, busque fomentar momentos de compartilhamento e comunhão com os membros do grupo (não caia apenas na rotina de trabalho). Se você participa de um ministério como integrante, busque os colegas para compartilhar e orar. Certamente este é um caminho muito bom para que nos ajudemos uns aos outros, provocando a todo tempo a volta para o “primeiro amor” e para um trabalho motivado e dedicado.

2. O risco do ego inflado

Um segundo risco de perda de foco e transformação de um trabalho importante em algo negativamente impactante está relacionado a deixarmos o nosso ego tomar conta de nós, influenciando as nossas decisões e o nosso sentimento de propósito e gratidão por Deus.

Normalmente, o tema ego é abordado com muito mais profundidade quando se trata de ministérios de louvor, em que temos bandas e pessoas expostas à frente de uma Igreja. Mas a verdade é que a comunicação também é uma forma muito forte de exposição.

Sempre que fazemos um trabalho, e imagino que este sentimento se repita em todos os profissionais que amam aquilo que fazem, gostamos de sermos reconhecidos. Mas e quando isto não acontece? E quando os membros da igreja não enxergam as mudanças e os agradecimentos e elogios não aparecem?

Muitas pessoas podem dizer que isso não afeta a forma como elas se relacionam com Deus, ou até mesmo a motivação com que desenvolvem seus trabalhos, mas o fato é que exposições sucessivas a estes tipos de eventos usualmente nos tornam pessoas mais amargas e desgostosas em relação ao nosso propósito.

Como arma para combater este tipo de sentimento devemos sempre ter em mente uma das passagens que eu pessoalmente acredito ser das mais impactantes na Bíblia, escrita por João Batista no capítulo 3, versículo 30 do Livro de João:

“(…) É necessário que Ele cresça e eu diminua” (João 3.30)

Devemos sempre monitorar nosso ego, e se você é líder de um ministério de comunicação, você deve não só manter o seu ego vigiado, como também buscar evidências de que os integrantes do seu ministério também estão mantendo estes tipos de sentimento bem distantes do trabalho que está sendo construído.

3. O risco da perda de sensibilidade à Palavra

Por fim, mas não menos importante, temos o risco da perda de sensibilidade à mensagem que está sendo transmitida.

Muito parecido com o que enfrentamos no momento em que nos desmotivamos em função da perda do “primeiro amor”, muitas das vezes, quando passamos a atuar em um ministério por muito tempo, integrar uma escala de trabalho, participar de reuniões periódicas e manter uma rotina de “obrigações”, tendemos a nos posicionar de uma forma mecânica frente às atividades que são desenvolvidas pelo grupo.

Isto é extremamente negativo, uma vez que a efetividade da transmissão da informação é diretamente proporcional à nossa crença nela, e uma perda de sensibilidade à mensagem de Cristo acaba se refletindo em uma comunicação muitas vezes ineficiente.

Além disso, devemos lembrar que se estamos buscando impactar pessoas com a nossa habilidade de comunicação os primeiros a serem impactados pela mensagem somos nós.

Não seja um cristão apático, focado apenas em cumprir as agendas e manter o mecanismo funcionando. Viva a palavra de Deus e assim certamente as pessoas que estão recebendo as iniciativas de comunicação do seu ministério serão muito mais impactadas.

Concluindo, mantenham sempre estes riscos em mente e saibam que a todo o momento somos tentados a perder o foco e desanimar, mas certamente não é isso que Deus espera de nós, e é exatamente por isso que ele nos escolheu para desempenhar este papel tão importante de potencializar a difusão da sua Palavra a todas as pessoas. Como dica final, mantenha sempre uma rotina de devocional e estudo Bíblico com o seu grupo de trabalho. Esta é a arma mais potente de que dispomos para garantir o alinhamento da equipe com o propósito da nossa existência!

 

 

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