Guia prático sobre vídeo para igrejas – Lição 37

LIÇÃO 37 – EDIÇÃO: INÍCIO, MEIO E FIM

Antes de abrir o programa e começar a editar de fato é necessário que você tenha a ideia bem definida. A edição não é apenas um trabalho de cortar e colar, mas é, antes de tudo, uma criação. Nesta lição do Guia Prático de Vídeo para Igrejas, vamos desconstruir um método de como ordenar e organizar a edição dos vídeos: começo, meio e fim. Vamos permear um pouco no mundo das narrativas, então se você ainda não se inteirou sobre este assunto, corre lá rapidinho!

1. O INÍCIO

Ok. Você está pronto para começar a editar. Como você introduzirá o seu vídeo? Qual será a primeira coisa que seu público irá ver? Quando penso nas primeiras visuais e primeiros sons que as pessoas irão experimentar, eu sei que é necessário que causem uma grande e boa impressão. Eu quero que comece com um impacto, mas também quero que tenha significado. Entre dois planos deve haver uma continuidade, seja de conteúdo, medida ou duração.

Um teórico, J. P. Chartier, diz que tudo se trata do “ritmo da atenção”. Mas o que seria isso? Uma cena não é percebida por nós da mesma forma do começo ao fim. Primeiro, reconhecemos, ou seja, situamos aquilo que apareceu diante dos olhos. Depois, temos um momento de atenção máxima, em que captamos a essência da cena: gestos, palavras etc. E por fim, nossa atenção é baixa, pois o processo foi concluído e, se a cena se estender, nasce um pequeno tédio e irritação. Se soubermos identificar este exato momento de baixa de atenção e cortarmos para outra cena em que o processo se inicia, tudo de novo, a atenção sempre será mantida. E é justamente isto que estamos buscando realizar.

É legal que logo nos primeiros segundos das primeiras cenas sejamos capazes de determinar o assunto do vídeo e porque ele é relevante.

Para o início do vídeo, lembre-se de:

– estabelecer o assunto do vídeo;

– cativar e prender a atenção do público;

– deixar claro porquê o público deve se importar com ele.

2. O MEIO

Depois que a euforia e o impacto do início já passaram, seu vídeo irá transitar para o meio. Esta é a parte mais consistente e provavelmente será a mais longa do seu vídeo. Aqui você deve desenvolver a história e introduzir o conflito. Normalmente, nesta parte temos menos entusiasmo visual, então é nosso trabalho conduzir os diálogos e a história de uma forma que cative o espectador e evite que ele desvie a atenção. Cenas cada vez mais curtas transmitem um aumento da intensidade dramática, deixando as pessoas apreensivas. Já cenas cada vez mais longas remetem à calma e ao relaxamento. Tire proveito disso para construir a sensação da história.

Se o início do vídeo já cumpriu seu papel e capturou a atenção das pessoas, o meio dele precisa manter essa conquista através de uma boa narrativa e um conteúdo sólido. Lembre-se aqui também do ritmo da atenção. Construa o ritmo do seu vídeo baseado nessa informação. Nesta parte, geralmente, a maioria das pessoas dispersam, pois não é tão atrativo ou confrontador como o início ou o fim, então, ponha a mão na massa e foque nos elementos de uma boa narrativa para te ajudar também.

Para o meio do vídeo, lembre-se de:

– introduzir o conflito central;

– manter a atenção do público (apenas não a perca);

– ser consistente, com conteúdo sólido.

3. O FIM

Aqui é hora de aproveitar. Hora de vencer! São os 45 do segundo tempo. Você se manteve bem durante o jogo inteiro, com um início forte, garantindo a posse de bola. Fez jogadas consistentes, mantendo a marcação e a ação no meio de campo, tendo realizando boas finalizações. Não há necessidade de se desesperar, pois o último lance já está dentro da área. Agora é hora de marcar. Nunca pensou que eu sabia tantos termos de futebol, não? Rs.

Voltando aos vídeos, o fim é onde você apresenta a solução do vídeo. Qual é o passo que as pessoas devem dar após assistirem ao vídeo? É o momento de amarrar todas as pontas que ficaram soltas durante a história. Isto pode parecer óbvio, mas é fácil de nos esquecermos de algumas sugestões que deixamos pelo caminho. Lembre-se que você não precisa estar criando um filme de Hollywood para aplicar essas técnicas aos seus vídeos da igreja. Por exemplo, eu sempre termino os vídeos de avisos da minha igreja do mesmo jeito e isso é proposital. Nós gravamos a apresentadora dizendo algo como “Programe-se e participe de nossas atividades…” e isso serve de deixa para que o pastor ou o dirigente suba e dê prosseguimento ao culto.

Para o fim do vídeo, lembre-se de:

– resolver o conflito central de algum modo;

– fazer um grande apelo para tomada de ação;

– amarrar as pontas soltas.

CONCLUINDO

Pensar em seus vídeos de uma forma estruturada pode parecer algo engessado, mas irá te ajudar muito a ser um editor melhor, bem como um bom contador de histórias. Eu utilizo essa estrutura, pois me ajuda a ficar dentro dos limites de uma boa edição. Quando me afasto desse método, é fácil começar a incluir cenas que acho que são legais, mas que no fim das contas não estão ajudando a construir a história que quero contar e estão apenas contribuindo para um vídeo muito longo. Lembre-se dos tempos do colégio: o que a professora de redação sempre dizia sobre as dissertações? Começo, desenvolvimento e conclusão, não era? Aqui vale a mesma regra.

Como você organiza suas ideias para edição? Tem alguma experiência ou método que gostaria de compartilhar? Escreva aí embaixo!


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