O que igrejas devem aprender com a mudança de logo da Uber

Quando grandes empresas, com um grande número de fãs leais, sofrem mudanças significativas, tais como a mudança de seu logotipo, nos deparamos muitas vezes com a formação de uma multidão de “haters” prontos para arremessar opiniões e reações negativas. O serviço de compartilhamento de carros (como a empresa se auto-denomina) Uber se encontrou diante desta extremista recepção de opiniões amigáveis e consternações críticas depois de lançar recentemente uma nova identidade visual da marca,que de igual forma, foi rapidamente rechaçada por artistas e designers como também mal comentada por motoristas e usuários do serviço.

A medida que o novo visual foi lançado, a “revista” Wired publicou um “behind the scenes” http://www.wired.com/2016/02/the-inside-story-behind-ubers-colorful-redesign/ (bem como outros sites especializados, tal qual o do vídeo abaixo) com um olhar crítico sobre o processo de mudança que durou mais de dois anos e meio, e que culminou com a saída do designer-chefe da empresa (embora ele tenha dito que sua saída se deu justamente porque o lançamento ocorreu perfeitamente e que agora ele pode ter um tempo para descansar, refletir e recarregar as baterias! Sei! Heh).

Enquanto alguns dizem que há uma abundância de lições para aprendermos sobre “como não fazer” como o Uber, acredito que há alguns surpreendentes e bons aspectos a serem “copiados” também. O ato de modificar uma marca (“Rebranding”) é uma luta comum para muitas igrejas atuais. Portanto, aqui vão algumas das principais lições que podemos tirar com a experiência da Uber e que o ajudarão a lidar com este processo de uma forma melhor. Mas pera aí, qual você quer primeiro? As boas ou más notícias? Ah! Vamos com as “bad things first” vai.

Em primeiro lugar, analisemos os “maus” exemplos, segundo alguns:

Processo fechado, interno demais e dirigido inteiramente por um não-designer

É de conhecimento geral que o Uber nasceu de uma obsessão de Travis Kalanick. Como fundador e CEO, ele era a única pessoa em quem confiava para liderar o processo de design da empresa (Heh! Já viu essa história em alguma igreja? Não né?! Heh). No entanto, ele é um engenheiro e não um designer. Faço uma pausa pra dizer que eu sou um advogado de formação e tenho certeza que não faço ideia de como construir uma casa do zero. Pegaram essa comparação?! Volto a dizer, como em outros posts passados, que a igreja deve investir e empoderar aqueles que no mínimo possuem uma vontade ou apreço por design, quem dirá aqueles que tem conhecimento e estudo profissional sobre o assunto.

As empresas de “branding” (marcas) externas não estavam atendendo as expectativas da empresa, de modo que Kalanick resolveu montar uma pequena equipe interna, que incluíam alguns designers gráficos, mas que se reuniram periodicamente durante dois anos e meio atrás de portas fechadas numa intitulada “sala de guerra”.
Não há nada de inerentemente errado em fazer “rebranding” em um ambiente interno e com um grupo seleto de pessoas da área. Afinal, deixar o design a cargo do comitê gestor, da secretaria ou liderança, onde muitas pessoas com as habilidades erradas estão na mesa, raramente funciona.

Mas um processo fechado, como este, pode levar a uma mentalidade de grupo onde a perspectiva se perde por falta de feedback, e os procedimentos fechados em uma sala de reunião “opressora” não permitem aflorar a verdadeira criatividade; o que só produzem processos rígidos que costumam gastar muito tempo (necessário para outros assuntos ou projetos,…). Se quiser saber mais um pouco sobre reuniões de grupo efetivas, dê uma olhada neste post aqui.

Muitos dizem que o Uber perdeu o foco no usuário final

Eu já pude ver essa “perda” acima em muitas igrejas que já convivi ou estudei anteriormente (e eu aposto que você já experimentou isso também!), infelizmente.

O pastor principal tinha um pequeno grupo de trabalho debruçado sobre um novo logotipo, onde não havia respeito pelas opiniões de marketing pessoal e digital dos integrantes entendidos na sala. A igreja terminou por confeccionar um logotipo que o líder queria, mas que parecia datado (fadado a morrer se você não me entendeu! Heh). Ele não representava a real cultura da igreja e, pior que tudo, não compartilhava a mensagem certa com a comunidade que a igreja estava inserida ou queria alcançar.

Por muitas razões, a voz do “cliente” foi deixada de lado no processo da Uber também, especialmente nos primeiros 18 meses de “rebranding”. Os gestores envolvidos no redesenho da marca mantiveram uma afinação perfeita da nova marca em algo que eles gostaram e entendiam como um simbolismo que eles acreditavam representar os usuários. Acontece que, o público apenas não enxergou nada do que eles queriam dizer!

Da mesma forma, a sua estética de design pessoal não é necessariamente a mesma das pessoas que você serve. Temos que olhara para fora e atingir os “perdidos”. Mantenha sempre o seu usuário final em mente, testando o conceito com um seleto grupo de “usuários” (de preferência que não façam parte da equipe de redesenho, nem da liderança da igreja). E eu garanto a você que será possível encontrar maneiras que não estão se comunicando ou se encaixando da forma esperada, na fase de projeto, e não quando tudo já estiver pronto, impresso e publicado.

Agora, por fim, as “boas” notícias desse “rebranding”:

O Uber entendeu, encontrou e desenvolveu uma temática, um “porquê”, para projetar e fazer o que fizeram

Muitas vezes o processo de “rebranding” ou redesenho começa com a simples noção de que já é hora de um novo logotipo, sem se pensar muito sobre os próximos passos ou o que vem a seguir nesta empreitada. Enquanto os executivos da Uber tinham um pouco da mesma “cegueira” inicial apontada, eles acabaram por repousar sobre um conceito que orientava ou orientará o futuro da marca e como ela deve ser daqui pra frente.

Eles desenvolveram um conceito de “bits” que representarão o lado técnico e logístico da Uber e o conceito de “átomos” que representarão as pessoas que a empresa vem servindo; relacionando e integrando estas interações. Embora um pouco abstrato, a guia de bits e átomos tornou mais fácil a decisão da equipe de design em dizer sim às ideias certas e não às outras (péssimas). Era um quadro que trazia um design do ícone do aplicativo com um fundo texturizado (átomos que denotam tecnologia) com uma forma sólida no topo (bits que lembram os usuários do Uber).

Da mesma forma que uma identidade visual concreta ou uma lista de logos, fontes e cores que sua igreja deve manter atualizada para todos os ministérios, trabalhos e divulgações. Tendo-se um norte fixo e evidenciado fica muito mais fácil correr atrás de resultados, não acham?

A Uber focalizou, ou para alguns, regionalizou seu conteúdo

Nas fases posteriores do projeto, quando o grupo de design percebeu que não deveria projetar apenas para o CEO (ou como para nós, projetar apenas para o pastor ou um grupo específico da igreja), logo percebeu a difícil tarefa que uma empresa global tem ao criar um olhar que atenda o apelo de todos os seus diversos clientes.

Conseqüentemente, o Uber criou sessenta e cinco diferentes painéis semânticos (“mood boards”) com cores e imagens específicas que seriam utilizadas em diferentes partes do mundo em que o Uber estivesse presente (como mostra o quadro abaixo).

Uber - branding de acordo com a paleta de cores de países

Fonte: http://www.wired.com/2016/02/the-inside-story-behind-ubers-colorful-redesign/

Da mesma forma que nossas igrejas fragmentam, ou deveriam fragmentar, seu público em grupos de atuação. Embora seja melhor ter a prática de se usar uma marca única para a igreja toda, existem diversos públicos onde você pode ou deve (a depender do seu perfil) ajustar a sua mensagem. Você sempre se comunicará de forma diferente para homens e mulheres, jovens e adultos ou membros antigos e novos freqüentadores. Razão pela qual não há problema em se ter uma linguagem ou cores específicas de cada ministério desde que dentro da mesma marca.

Bom, uma coisa é certa, todos nós precisamos repaginar nosso guarda-roupa ou hábitos cotidianos. O ser humano é um ser sociável e em constante mudança, e graças a Deus por essa diversidade que vivenciamos e presenciamos a cada dia. O mundo seria muito chato se só existissem pessoas iguaizinhas a mim.

De igual modo, nossa igreja, comunidade ou congregação sofre mudanças e devemos mudar com elas. Nós devemos! Não a mensagem de Cristo. Forçar adaptações ou transformações nunca deu, nem dará certo. Tudo se modifica através de um processo. Nada se modifica se não tivermos algo pra colocar no lugar ou substituir o anterior. Que Deus nos abençoe e com muita oração chegaremos num conceito comum que agrade grande parte dos envolvidos, mas que acima de tudo, alcance novas pessoas que precisam saber sobre Cristo. Fiquem com Deus e até uma próxima oportunidade.

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