6 obstáculos que toda equipe técnica de som enfrenta(rá)

Nós todos temos o desejo de ver nossos cultos, atividades ou eventos serem executados sem remendos ou distrações. Enquanto alguns são capazes de contratar engenheiros sonoros e técnicos profissionais, a maioria de nós depende de seus voluntários: fiéis com diferentes níveis de habilidade em uma produção ou técnica. Mas com isso, em nossos esforços para mitigar ou diminuir “problemas” podemos, inadvertidamente, brecar nossos voluntários, afastando-os da excelência e comunhão com Deus e os outros. Queremos, então, destacar algumas das maneiras em que podemos ajudar nossos voluntários de modo que possam progredir continuamente em sua jornada de trabalho e conhecimento técnico.

1. Crie um ambiente seguro

Ao longo dos anos que desenvolvi, ou pelo menos tentei desenvolver, minhas habilidades em áudio, cometi muitos erros, muitos mesmo! Microfonia, posicionamento errado de microfones, monitores de palco sem volume, opções erradas de equalização, efeitos não testados e escolhidos, acho que você entendeu a idéia, né?! Nem sempre me dei mal mesmo, mas havia uma falha real ao longo do caminho! O importante é que eu estava “autorizado” a cometer esses erros e a aprender com eles. Fora isso, eu tive a sorte de ter dois amigos que, ao meu lado, também aprenderam junto comigo e, juntos, desenvolvemos e afiamos nossas habilidades (Não que elas sejam tantas assim, claro! Hehe).

Já dissemos em inúmeros posts, tanto para equipe de criação, como para a de execução, que criar um ambiente seguro onde os voluntários estão livres para aprender, explorar, cometer erros, provocar feedback e desenvolver suas competências e dons, dados por Deus, é muito importante. Eu até mesmo tive a oportunidade de treinar alguns que tinham o desejo de aprender, mas “eram” muito nervosos quanto a errar e “arruinar” as coisas. E eu sei que em raros casos queremos intencionalmente colocar esse medo em nossos voluntários. Não queremos que eles se preocupem dessa maneira, e certamente, sei que há momentos mais propícios e adequados do que outros para experimentar e aprender a “pilotar” o som e/ou câmeras, mas precisamos ter certeza de que estamos dando este tempo de aprendizado prático aos nossos voluntários.

Veja bem, certo dia me questionaram se determinado jovem poderia liderar um evento e qual minha opinião a respeito, eu disse que não saberia responder, uma vez que ninguém havia deixado uma responsabilidade sequer sobre a liderança daquele rapaz. Só teríamos uma resposta se o deixássemos tentar. De igual modo, os ensaios de grupo e/ou atividades nem sempre dizem respeito apenas à banda e atores, use estes momentos para permitir que os técnicos mais novos, ou até mesmo os aspirantes, aprimorem suas habilidades. Avise a banda ou aos atores que as coisas podem soar ou parecer estranhas no início, e aqui e ali, mas isso é importante para que os técnicos e a sonoridade da igreja tenham progresso.

2. Promova a confiança dentro de sua equipe

Uma das outras maneiras que nós podemos realmente sufocar o progresso e aprendizado dos voluntários é limitar fisicamente o que os nossos técnicos têm “permissão” para mudar. Em minhas andanças por igrejas testemunhei uma variedade de maneiras, tais como a de bons líderes de bom coração que tentam salvar as configurações de um “profissional top” que pode ter trabalhado cinco anos atrás na igreja, e que permanece “setada” até hoje com canetinhas ou fitas crepe. Um dos meus “favoritos” é o aviso escrito a mão numa folha de caderno colada bem em cima da seção de equalização (low, middle, high) que diz: “FAVOR NÃO MEXER”. Mas nada superará a inestimável placa de metal soldada à mesa de som, que impedia, ou ao menos limitava, o quanto os “knobs” podiam ser alterados.

Já trabalhei com algumas equipes de som antes de fazer parte do louvor, especialmente com um famililar que trabalha profissionalmente na área, assisti e vivenciei como as passagens de som são executadas, como o bloqueio de equipamentos limitados atrapalha e as configurações e esforços necessários para se manter a qualidade. E os problemas óbvios sempre se repetem pois os elementos sempre mudam! Músicos tocam de formas diferentes, cantores cantam diferentemente uns dos outros, vozes altas, graves ou estridentes, você sempre precisará mudar alguma coisa.

Se nós não permitirmos que os nossos voluntários tenham acesso a todo o reino de configurações, eles nunca vão aprender a progredir.

Lembre-se que eu sou um defensor ferrenho da utilização de “padrões de base” para tudo, desde o tom da música à equalização do sistema de som, sejam predefinições de canais, ou repetições programadas de cânticos ou estrofes, etc., pois isto auxilia e muito que os técnicos “descansem” na possibilidade de fazer alterações e que possam “brincar” com as configurações, sabendo que a qualquer momento podem voltar para uma configuração confiável se eles se perderem ou passarem dos limites. Isto é aprendizado “in loco”.

3. Comunique expectativas claras

A expectativa é algo bem interessante de se analisar quanto a sonoridade de uma igreja. Algumas pessoas enfrentam ela de frente, enquanto outras são intimidadas por ela. Se definirmos expectativas muito baixas, nós não avançamos, e se definimos outras muito altas, podemos assustar as pessoas que se voluntariaram. Eu acredito que devemos incentivar nossas equipes para crescer sempre, mas temos de ser realistas e definir nossas expectativas de acordo com os nossos técnicos e com o sucesso que queremos alcançar. Neste cenário, eu não estou me referindo ao conjunto de habilidades dos voluntários e operadores, mas a um lado da moeda que poucos querem ver, que é a qualidade do equipamento, a qualidade da musicalidade e a dinâmica do espaço em que seu culto, evento ou atividade ocorrerá.

Embora não seja a coisa mais popular a se dizer e salientar, já que a culpa é sempre do “menino do som atrás da mesa”, perdi as contas de ver momentos em que as pessoas acabam se concentrando na galera do som do que olhar sobre os músicos do palco e suas competências como voluntários. Nesses casos, as tecnologias estavam cumprindo seu papel e outras coisas precisavam ser abordadas. Precisamos ter certeza de que não estamos esperando que nossos técnico-voluntários transformem magicamente o que entra no “input” da mesa em algo que nunca poderiam ser.

4. Invista em ferramentas adequadas

Ferramentas são coisas maravilhosas. Eu amo gadgets, mas não advogo a ideia de que temos que ser um “faz-tudo-all-star”, sou completamente contrário a isso no âmbito na igreja local, e ao longo dos anos, tenho definitivamente aprendido a dar valor as ferramentas adequadas para um determinado trabalho. Agora, eu realmente sei o significado do velho ditado que diz que “a necessidade faz o homem” ou “a necessidade é a mãe de todas as invenções”. Tenho visto muitas invenções criativas dentro de espaços curtos e orçamentos enxutos, no entanto, existem ferramentas básicas que devemos garantir acesso aos nossos técnico-voluntários.

Se estamos à procura de certos resultados, precisamos dar uma olhada no que é realmente necessário para se obter esses sons ou efeitos de iluminação. Acho que o tempo das gambiarras deve ser superado.

Compreendo perfeitamente que os orçamentos são o que são e de modo algum estou sugerindo que a solução para um bom som baseia-se em ter o equipamento mais recente, mais caro e mais amplo (embora estes sejam divertidos para brincar! Hehe). Mas há certas peças que devemos prestar atenção. Se estamos trabalhando com um coro, muitas vezes, devemos nos certificar de que temos microfones adequados para corais. Para os instrumentos devemos investir em boas caixas específicas de qualidade para capturar corretamente o som dos instrumentos no púlpito (já sacou que me entristece ver um violão ligado num cubo de baixo, né?!). Todas essas coisas cooperam para o bem do que nossos técnicos podem entregar, de acordo com o que nós estamos procurando. E há opções acessíveis em qualquer lugar hoje.

5. Cultive uma cultura de formação contínua

Uma das peças mais negligenciadas, às vezes por falta de recursos, é uma formação e estudo adequados. Eu diria que a parte mais importante do quebra-cabeça é o treinamento, seja na forma de tutoria, de par em par com pessoas mais experientes de sua equipe auxiliando, ensinando e encorajando outras, ou “contratar” profissionais locais, confiáveis, para promover um congresso ou dia de treinamento, ou um dos muitos recursos on-line hoje disponíveis. A implementação de algum destes tipos de treinamento é muito importante para que seus técnico-voluntários cresçam.

Investir na área de um dom é o mesmo que incentivar seu desenvolvimento.

Embora isso possa parecer óbvio, muitos que hoje são profissionais aprenderam por conta própria durante anos, antes mesmo que qualquer tipo de formação profissional lhe tenha sido oferecida.

6. Seja consistente

Pra mim, um dos maiores, se não o maior de todos os obstáculos. Não é a falta de habilidade de seus voluntários, mas o cenário comum a todas as igrejas é que há uma falta de consistência para os níveis de qualidade de semana para semana. O que comumente é esquecido é que devemos estabelecer diretrizes, definidas pela liderança da igreja, sobre como o “som” da igreja deve ser (e aqui entram questões denominacionais que eu não devo sequer citar, mas que você deve compreender e conversar com a sua comunidade para entender e definir).

O obstáculo está na suposição de que cada técnico-voluntário deve ser uma “mistura ou mescla do mesmo”, e isso nunca vai ser o caso. Todos nós ouvimos as coisas de formas diferentes. De fato, você já deve ter ouvido falar em produtores musicais e engenheiros sonoros que são normalmente contratados para os sons que eles são “conhecidos” ou que já produziram no passado com uma banda específica. Assim, esperar que o voluntário que curte rock escute e aja com o mesmo ouvido do voluntário que curte samba é correr a favor do fracasso. Se não houver um tipo de orientação definida pela liderança, de qual “som” deve ser a “cara” da igreja, as pessoas darão passos largos para a inconsistência e o fracasso (quem disse que liderar é fácil não faz ideia do que é ser líder!).

Embora eu compreenda que a maioria das equipes de liderança pode não ser capaz de falar com especificidade sobre musicalidade e áudio, as orientações gerais são suficientes, elas podem dizer sobre níveis de volume gerais, intensidade e configurações de bandas (com ou sem metais, sem ou com bateria, com percussão, e assim por diante) ou canções possíveis a serem escolhidas de semana em semana. Em determinada igreja que visitei, achei muito interessante a criação de uma espécie de comissão de membros (de várias idades e aspectos sociais) com a atribuição específica de anotar, durante um período de tempo, como as dinâmicas, sons e mixagens eram de semana em semana nos cultos, eventos e atividades da igreja, e a partir desta lista escolheriam destaques sonoros e configurações como eles queriam que o som da igreja passasse a ser. Com este estudo, a liderança adotou um “som” que a definia, e dali em diante todos os técnicos procurariam (e procurarão) seguir este padrão. Logo após isto, nunca mais ouvi reclamações de agudos altos, baixos estridentes ou músicas fora de hora naquela igreja local.

Todos nós queremos ver os nossos voluntários arrebentando e tendo os melhores resultados possíveis para nossos eventos e atividades. Investir em nossas equipes por meio de treinamento, intimidade e discipulado, certificando-se de que eles tenham as ferramentas necessárias, permitindo-lhes tempo suficiente para experimentação e erros a serem cometidos, bem como o acesso a todos os parâmetros de trabalho para nossos sistemas e fornecendo-os uma visão a ser seguida, tendo expectativas realistas são, na minha opinião, as 6 melhores maneiras de se permitir que nossa equipe técnica cresça e tenha sucesso em propagar o nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Apenas lembre-se: “Todo expert começou como um beginner!”.

E vocês aí?! Como têm cuidado das equipes técnicas e responsáveis pela execução do trabalho pesado e prático de nossos eventos? Algo a acrescentar e comentar? É só escrever aqui embaixo. Até a próxima.

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