Guia prático sobre vídeo para igrejas – Lição 01

LIÇÃO 01: COMO TUDO COMEÇOU?

Como tudo que estudamos na vida, acredito, é interessante compreender como se iniciou para dominar melhor as variantes. Aliás, já diria um professor meu que referência é tudo na vida! Então, agregue esse conhecimento à sua bagagem! É muito importante que você pesquise, assista, estude, analise e filtre o que os outros estão fazendo para criar um acervo pessoal relevante que vá refletir positivamente nas suas futuras produções!

Bom, o vídeo nada mais é do que milhares de imagens fixas, denominadas fotogramas, sendo expostas em sequência aos nossos olhos numa velocidade além do que nosso cérebro pode perceber. E essas imagens passam a configurar movimento para nós por causa de um fenômeno chamado “Persistência da Retina”. Calma, não vai ser aula de biologia! Quando observamos uma imagem, mesmo depois de o cérebro ter recebido a informação, a retina continua a transmitir impulsos, por aproximadamente 1/10 de segundo após o último estímulo luminoso e, quando as imagens superam essa velocidade, temos a ilusão de movimento.

O cinema, que impulsionou e se transformou até chegar ao que conhecemos hoje por vídeo, surgiu na transição do século XIX ao século XX, com a invenção do kinetoscópio de Thomas Edison. É, ele mesmo! O cara que inventou a lâmpada! Ele também foi pioneiro aqui nesse ramo, em que, em meados de 1894, os principais temas eram de curiosidades. As primeiras exibições de filmes ocorreram um ano depois, quando os irmãos Lumière, através de seu cinematógrafo, apresentaram filmes curtos que relatavam o cotidiano de Paris, como a saída dos operários de uma fábrica ou o famoso trem chegando à estação. A partir dessas primeiras experiências, entramos no período do Primeiro Cinema, que é marcado por filmes de atrações, registro do cotidiano, sem muitos parâmetros. (Será que não voltamos a essa origem quando percebemos a pura “vontade de ver” hoje presente em canais como Youtube?). Revolucionando no campo da edição – que só passou a chamar edição a partir de 1950; aqui era montagem -, Georges Meliés, influenciado por essas novidades, passou a fazer sua própria contribuição, em que demonstrou pioneirismo em relação a efeitos sobrepostos, bem como introduziu a narrativa nas produções. Seu filme mais conhecido foi “Viagem à Lua”, de 1902.

Em busca de uma linguagem, Edwin S. Porter, com “Life of an American Fireman” (Vida de um bombeiro americano), 1903, apresentou a narrativa cronológica e a sensação de continuidade que hoje estamos tão acostumados, como quando vemos uma cena externa e, logo em seguida, outra interna e entendemos que se trata do mesmo lugar. Ele apresentava muita influência do teatro em sua obra: consegue perceber algum aspecto neste pequeno trecho?

Se você reparou na câmera, é isso mesmo! Percebeu que ela é estática e toda ação ocorre concentrada, como se fosse um palco?
A partir disso muitas foram as inovações e o momento em que o cinema dá uma reviravolta é quando D. W. Griffith reúne todas as técnicas existentes e lança “O nascimento de uma nação” (1915), a primeira grande produção que marcou o período em que o cinema se estabelece como linguagem específica e particular, sobretudo como entretenimento.

Durante a década de 1920, você deve se lembrar da época de escola que ocorreu a Semana de Arte Moderna por aqui, certo? E é claro que o cinema não ficou de fora dessa ruptura que eles defendiam. Além do primeiro filme falado, em 1927, “O cantor de Jazz”, muitas vanguardas foram retratadas nas telas, como, dentre outros: o Expresionismo alemão, representado por “Nosferatu”; o Surrealismo, por Luis Buñuel, com seu “O cão andaluz”, que teve contribuição do renomado pintor Salvador Dalí; e o Construtivismo russo, que teve significativa contribuição através de Sergei Eisenstein, com seu “Encouraçado Potemkin” e aplicação de figuras de linguagem (Lembra-se da metonímia? Vai, esforce-se um pouquinho! Parte pelo todo? Ele faz isso quando filma apenas as botas dos soldados descendo as escadas!), e Lev Kuleshov, com seu “Efeito Kuleshov”. Mas o que é isto? Vamos explicar: foi um experimento que deu origem a um fenômeno ao qual, mais uma vez, hoje, estamos muito acostumados. Ele pegou uma imagem de uma pessoa, focada no rosto, e logo em seguida mostrou uma imagem de um prato de comida. As pessoas disseram: “Ah, essa pessoa está com fome”. Então, repetiu o procedimento, só que dessa vez com a imagem de um bebê posteriormente. E disseram: “Ah, ele sente falta do filho”. Mas a imagem da pessoa era a mesma! Ou seja, nós criamos relações por associação. Quer induzir ou sugerir alguma coisa? Utilize esse meio, funciona! Faça o teste!

Efeito Kuleshov - Associação número 1

Efeito Kuleshov – Associação número 1

Efeito Kuleshov - Associação número 1

Efeito Kuleshov – Associação número 2

Depois disso, foram mais milhares de novidades: Hollywood e todo seu glamour na Era de Ouro, cinemas nacionais (chamados periféricos) e outros experimentos até chegarmos ao Cinema Contemporâneo, ou seja, aquilo que estamos vivendo nesse momento. É a era das superproduções, filmes blockbuster e franquias, de super-heróis, principalmente procedentes da literatura. Muitas características já estão tão consolidadas em nosso entendimento que não paramos para pensar como tudo aquilo se construiu em nosso imaginário comum. Olhando para trás, podemos captar um pouco de como chegamos até aqui. Entretanto, tudo aquilo que conhecemos está para mudar! O cinema digital é cada vez mais concreta realidade, em que a materialidade do filme muda e as produções 3D estão cada vez mais surpreendentes. O que será que ainda vem por aí? Com o que nós podemos contribuir?

Conte pra nós o que você imagina! No nosso próximo encontro vamos conhecer um pouco mais sobre essa tal Linguagem Audiovisual então surgida. Acompanhe!


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