Guia prático sobre vídeo para igrejas – Lição 17

LIÇÃO 17: ENQUADRAMENTOS E COMPOSIÇÃO

Uma das melhores técnicas que você pode aprender ao filmar vídeos é como enquadrar a cena corretamente e realizar uma composição apropriada. Se você apenas liga a câmera e sai filmando, sinto dizer que não está no caminho para produzir grandes filmagens.

E sabe por que digo isso? Por que eu já fiz assim um dia. Lembro-me da primeira vez em que fui fazer um pequeno vídeo de propaganda de uma programação da igreja e captei tanto material que poderia certamente obter um filme em termos de duração. Mas qual a surpresa quando fui assistir? Nada podia ser utilizado: faltavam noções básicas. Apenas foquei em efeitos e motivos interessantes para serem usados e no fim eu estava com um vídeo que apenas tinha 450 mil transições diferentes. Cansativo e horrível! Rs

Mas com o meu erro aprendi e você também pode aprender sobre as noções básicas das quais vamos pensar um pouco hoje: enquadramento e composição.

A primeira coisa que você precisa saber sobre enquadramento é que a tela, ou podemos chamar assim, a janela do seu vídeo é o mundo dele mesmo. Isso significa que é muito importante como seus objetos vão estar posicionados nesta tela. Pense em uma música: sempre existem elementos característicos como versos, refrão e pontes, que servem cada qual ao seu propósito. Os versos são introdutórios e mais calmos, marcando um início; o refrão é o clímax, com bastante energia; e a ponte é o que próprio nome sugere, fazendo uma ligação entre os dois anteriores. Do mesmo modo, seu enquadramento e disposição dos elementos em cena vão formar uma música que lhe será peculiar e falará muito a respeito do caráter do vídeo.

A composição segue algumas convenções que vieram da pintura clássica e sofreram algumas transformações ao longo do desenvolvimento do design e da era digital, mas de modo geral é comum à nossa cultura. Uma boa composição baseia-se em harmonia entre equilíbrio, forma, ritmo, espaço, cor, entre outros, e está sempre contaminada de personalidade, visão de mundo e significado.

Quando as pessoas assistem ao seu vídeo, tudo que elas têm é a tela e o universo que você criou, transformando-se em seu mundo naquele espaço de tempo. Por isso, vamos falar de 3 pontos básicos do enquadramento para que este mundo seja o mais agradável possível para elas:

1. POSICIONAMENTO

Onde se encontram seus objetos em cena? E o principal? Está no centro e, assim, no centro do mundo? Esse objeto é o centro das atenções e a coisa mais importante que deve ser mostrada neste momento? Ou seu objeto está mais ao lado? Se sim, o objeto é parte do mundo e uma figura importante, mas não necessariamente o centro de tudo.

Como você pode ver, o posicionamento que os objetos em cena assumem passa uma mensagem diferente, mesmo que inconsciente, para seu público de acordo com o local a que estão designados.

Posicionamento de objetos na cena

Repare que o que está no centro da imagem é o que importa na cena, sendo inclusive o ponto em que o foco está apontado.

2. ÂNGULO

Os ângulos são também muito importantes na sugestão durante a narrativa e a mensagem do seu vídeo, pois caracteriza o olho do observador, ou seja, seu público. Vamos imaginar que você está entrevistando alguém. O ângulo da câmera que você utilizar no rosto da pessoa irá dizer muito a respeito da mensagem transmitida. Se você utilizar um ângulo baixo, ou seja, posicionar a câmera pegando a pessoa de baixo, seu observador se transformará em uma criança que olha para seu pai ou alguém mais velho, uma figura de autoridade.

DICA: Se você quiser gravar os sermões de seu pastor adicionando uma aparência de autoridade a ele, pode usar a câmera com um ângulo levemente baixo, como alguém que olha pra cima pra poder vê-lo.

No caso contrário, posicionando a câmera em ângulos altos, a visão sugere uma relação de submissão e força. Se você está olhando para baixo para alguém, essa visão sugere que você está em uma posição superior ou apenas que você é mais alto. E caso seu ângulo seja direto, sem inclinações, a sensação será de igualdade. Como um “olho no olho”. É legal utilizar este ângulo para batismos ou testemunhos, pois passa esse sentimento e reafirma sutilmente a ideia de que todos somos um no corpo de Cristo, e iguais perante Ele.

3. DISTÂNCIA

Naturalmente, a distância afeta significativamente o tom e o sentimento provocado por seu vídeo. Uma distância tradicional média simula uma conversa entre duas pessoas, em um restaurante ou em uma sala, por exemplo. É uma distância segura, que é confortável, mas ainda assim íntima. Se utilizarmos essa distancia como base, conforme caminhamos para os dois extremos teremos sentimentos diferentes, de intimidade ou de afastamento.

Já um zoom enquadrando somente o rosto da pessoa na tela inteira, ou seja, um close-up, transmite uma intimidade extrema. A mensagem passada é de que você está vendo a alma da pessoa, nada está escondido. No extremo oposto, uma filmagem de grande distância faz com que nos sintamos como se estivéssemos sentados ao fundo, observando de longe os acontecimentos.

Distância e zoom no vídeo

Aqui a distância longa causa a sensação de que estamos do outro lado da rua observando as pessoas que passam na calçada, não?

Ao usar esses 3 pontos básicos, você será capaz de enquadrar sua cena e objetos adequadamente de forma a dar o tom e sentimento necessários para o que você quer transmitir através de seu vídeo. Explore-os, combinando-os para ter resultados bem legais. Quer um exemplo de como o enquadramento e a composição interferem na captação da mensagem? Da próxima vez que você assistir a um filme identifique os protagonistas e os antagonistas (os mocinhos e os bandidos) e repare em como eles são apresentados para nós. Como ocidentais que somos nossa leitura acontece da esquerda para a direita, então muitas vezes os protagonistas nos serão apresentados entrando em cena pela esquerda da tela. Isso caracteriza um reconhecimento subconsciente de que ele é o “cara bonzinho”. Já os antagonistas aparecerão adentrando o quadro pela direita, o que é desconfortável para nós, causando em algum ponto nossa identificação de que aquele personagem é o “cara mau”. Interessante, não? Enquadramento e composição vão além do que você possa imaginar!

Nas próximas lições vamos nos aprofundar um pouquinho mais sobre cada ponto!


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